Marketing 3.0 ou simples oportunismo?

Promover o desenvolvimento econômico, mas assumindo o compromisso com a responsabilidade social e com a preservação ambiental. Muito mais que pilares da sustentabilidade estes conceitos estão alinhados com o marketing 3.0, que é focado no ser humano e nas suas necessidades.  Por isso, a temática tornou-se senso comum nos materiais de comunicação e marketing das empresas. A questão é: a sustentabilidade realmente faz parte do DNA das empresas ou o marketing está apenas surfando no oportunismo?

Selos. Certificações. Institutos. Cartazes. Anúncios. Comerciais e vídeos institucionais espetaculares. Motivadas por uma mudança de comportamento da sociedade e pela maior exigência dos consumidores, as empresas têm investido muito para divulgar as suas “boas ações” e deixar claro que são “responsáveis por um mundo melhor”. Mas, até que ponto esse marketing é realmente convertido em prática dentro e fora das empresas? Infelizmente, para muitas delas a sustentabilidade não passa mesmo de peças publicitárias.

Isso acontece principalmente pela dificuldade de entendimento das empresas sobre o que é realmente ser “sustentável”. Assim, muitas confundem filantropia (doações) e ações pontuais (plantio de árvores, por exemplo), como práticas de responsabilidade social e ambiental. Neste caso, embora o conceito não esteja realmente sendo aplicado, ainda há o consolo da boa intenção em implementar tais práticas.

Por outro lado, existem  empresas oportunistas que, mesmo compreendendo o conceito, não enxergam valor e não estão dispostas a mudar. Assim, simplesmente optam por ações pontuais, apenas para mostrar para o mercado.

Porém existem casos muito piores. Não é raro encontrar grandes marcas envolvidas em práticas de trabalho escravo e trabalho infantil, negligenciando direitos básicos de colaboradores internos e, o mais comum atualmente, participando de corrupções.

Para esses casos, torna-se impossível tentar qualquer tipo de argumento que justifique a questão. Mesmo que a situação tenha sido identificada com empresas do grupo ou fornecedoras de sua cadeia produtiva, há uma co-responsabilidade, na medida em que não tomaram os cuidados necessários na contratação e avaliação de parceiros, seja no que se refere ao cumprimento da lei aplicável ao negócio e do respeito ao ser humano.

Como se falar em sustentabilidade em qualquer empresa que não se preocupa em conhecer e estar de acordo com as leis? Como falar em compromisso social com uma empresa que se beneficia da exploração do trabalho de pessoas? Como falar em “cuidado com o ser humano” em uma empresa que lucra negligenciando seus deveres e os direitos das pessoas?

O que muitas empresas não entendem é que nenhum lucro conseguido com situações como essas poderá compensar os passivos, multas e, principalmente, os prejuízos financeiros para a sua imagem, quando for descoberta.

Por isso, é necessário enxergar o marketing 3.0 como uma possibilidade real de inserir a sustentabilidade nos valores da empresa e, assim, de minimizar prejuízos, de proporcionar um ambiente de trabalho mais saudável e produtivo, de ter uma relação mais próxima com todos os seus stakeholders e, especialmente, de trazer uma imagem real, mais positiva, perante os seus públicos e a sociedade.

É assim que os empreendedores sociais têm enxergado o mercado e têm buscado desenvolver novos negócios, lucrativos e com grande valor para a sociedade.

Afinal, o que as pessoas realmente querem é que as “boas ações” saiam do papel e deixem de ser pontuais, que elas sejam amplas para atender a todos os públicos, começando com os próprios empregados, que respeitem e cumpram as leis aplicáveis, que promovam o desenvolvimento humano, que estabeleçam relacionamentos e gerem impactos positivos para a sociedade.

Por isso, as empresas precisam entender que o marketing 3.0 não se resume a criação de campanhas ou de materiais para a empresa ter uma imagem positiva. É muito maior que isso. É uma mudança de comportamento e de pensamento. É uma construção diária, que renova a cultura da organização, que valoriza as pessoas e respeita os públicos, que alinha os objetivos estratégicos aos seus valores essenciais e, o mais importante, que também garante a sua manutenção no mercado, proporcionando o seu crescimento financeiro.

 

 

 

2 respostas
    • admin
      admin says:

      Ficamos felizes com o seu retorno, Renata! Toda semana teremos conteúdos fresquinhos sobre Marketing, Comunicação e Marketing Digital! Acompanhe com a gente!

      Responder

Deixe uma resposta

Want to join the discussion?
Feel free to contribute!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *